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29 julho 2010

Não atire Pedras!

Em meio ao desespero de uma família ao ver sua mãe condenada à morte por apedrejamento, uma campanha surgiu surtindo efeitos em massa sobre esta polêmica no Irã. Lançada pelos filhos da condenada iraniana Sakineh Mohammadi Ashtiani, de 43 anos, a campanha está gerando discussões e milhões de assinaturas contra o método desumano.

Sakieneh Mohammadi Ashtiani foi absolvida quanto a suspeita de assassinar seu marido, mas condenada em maio de 2006 por “adultério” mesmo sem nenhuma prova. Seu advogado, filhos e diversas famílias iranianas afirmam com convicção que a acusação é falsa e que a mulher já foi submetida a 99 chicotadas.
A injustiça atormenta seus dois filhos, Sajad, de 22 anos, e Farideh, de 17, que dizem que sua mãe, apesar de inocente, já foi punida por algo que ela não fez. "Ela é inocente, ela esteve lá por cinco anos sem ter feito nada", disse Sajad. Ele descreveu a execução como uma coisa de bárbaros. "Imaginá-la dentro de um buraco profundo no chão, apedrejada até a morte, tem sido um pesadelo para mim e para minha irmã por todos esses anos."

Atualmente o apedrejamento é um absurdo praticado no Afeganistão, Irã, Arábia Saudita, Somália, Sudão, Emirados Árabes Unidos e Nigéria. Sob a lei do Irã, o indivíduo condenado é enterrado até o pescoço (ou da cintura para cima, no caso dos homens), e aqueles que frequentam a execução pública são chamados a atirar pedras, e se o executado tiver filhos, estes são obrigados a ver toda a execução. Ano passado o país executou mais do que qualquer outro país do mundo, foram 388 mortos e neste ano já foram cerca de 100. O método aponta ainda serem necessárias pedras grandes o suficiente para machucar, mas não o bastante para matar rapidamente, ou seja, a idéia é de que a morte seja lenta e dolorosa, uma tortura.

Após a campanha lançada pelos corajosos filhos de Sakineh, com a ajuda do advogado de direitos humanos Mostafaei Mohammed, que teve que se esconder devido as inúmeras ameaças, e da também ativista dos direitos humanos na Alemanha Mina Ahadi, a campanha conseguiu mostrar que a condenação global funciona já que os clamores globais massivos impediram a morte por apedrejamento da iraniana, entretanto Sakineh ainda pode ser enforcada, e hoje, outras quinze pessoas aguardam execuções por apedrejamento.
Mina Ahadi que também colaborou com a campanha internacional, afirma ainda que após o lançamento da campanha recebeu telefonemas de famílias de outras duas mulheres condenadas à morte por apedrejamento, entre elas a de Azar Bagheri, de 19 anos, que foi presa quando tinha apenas 15 e como eles não podiam puni-la antes, esperaram que completasse 18 anos, para que agora, de acordo com a lei, possam apedrejá-la até a morte.

Com isso tudo, os brasileiros em apoio à campanha e contra o apedrejamento lançaram na rede social do “twitter” outra campanha intitulada “Liga, Lula”, pedindo que o presidente interceda junto ao presidente do país do Oriente Médio, Mahmoud Ahmadinejad.

O que acontece é que o Irã é um país que ainda reflete essa realidade dura baseada em conceitos retrógrados, já recriminado até mesmo por Jesus Cristo, quando os escribas e fariseus trouxeram à sua presença uma mulher surpreendida em adultério, e Jesus falou “Aquele que dentre vós estiver sem pecado seja o primeiro que lhe atire pedra. E ouvindo eles esta resposta e acusados pela própria consciência, foram retirando-se um por um, a começar pelos mais velhos até os últimos, ficando só Jesus e a mulher no meio onde estava.

Este caso vem apenas a evidenciar o crescente uso da pena de morte num país que já executou milhares de pessoas desta forma, o necessário realmente seria que não apenas Sakieneh fosse salva, mas que o apelo desesperado dessa família salvasse as mães de outras famílias também, já que em sua maioria as condenadas são mulheres, e se transformasse num movimento pelo fim do apedrejamento para sempre. Se você também pensa assim, participe!

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